Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ajuda aos haitianos

Tenho acompanhado, confesso que com um pouco de preocupação, as notícias relativas ao auxílio prestado às vítimas do terremoto no Haiti. Por exemplo, vi as matérias sobre a demora em se distribuir alimento às vítimas. Segundo o responsável pelo armazém da ONU, a organização ainda não tinha dado a ordem de iniciar a distribuição. Entendo que é necessária uma efetiva organização para atender a tantas pessoas necessitadas. Mas acredito que também é necessária uma efetiva rapidez na prestação de ajuda aos afetados pelo terremoto.

Sobre isso, destaco o que observei no site de notícias das Testemunhas de Jeová (www.jw-media.org site em inglês) a respeito de como elas têm feito para ajudar seus adeptos e outros. Diz-se que no dia seguinte ao desastre, já havia ajuda humanitária disponível. Um dos seus Salões de Assembléias está, inclusive, funcionando como hospital para atender aos feridos. Curioso é que, diferentemente da ONU e dos países a ela afiliados, que dizem ser aptos a socorrer as pessoas neste tipo de desastre, as Testemunhas não afirmam ser uma instituição de ajuda humanitária, mas uma instituição religiosa que, quando necessário, presta esse tipo de serviço.

O que quero dizer é que, na medida em que a ONU e outros países se preocupam com problemas de logística, essa organização, repito, de cunho eminentemente religioso tem organizado ação efetiva em prol das pessoas naquela região. Parece-me que, de alguma forma, os problemas logísticos não são tão grandes assim para eles. É algo que, no mínimo dá o que pensar: a quantas anda a organização da Organização das Nações Unidas? Tem ela realmente cumprido o que está proposto em seu estatuto? Parece que a resposta é não.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Boris casoy ataca o sistema de cotas

Ontem à noite fomos premiados com mais um comentário no mínimo discutível de Boris Casoy. No jornal que apresenta na Band, Casoy se colocou contra as cotas étnicas e sociais por considerá-las uma injustiça para com aqueles que têm o que ele chamou de “mérito” que, ainda segundo o âncora, se prepararam melhor. Sou obrigado a concordar que o sistema de cotas sociais e étnicas realmente rompe com certa meritocracia, mas não posso encarar isso como sendo negativo.

Em primeiro lugar, o sistema de cotas sociais é uma necessidade devido à deficiência gritante do ensino público brasileiro. É a solução para o problema? De fato, não e não pretendo que seja. Porém não podemos deixar de encarar a questão das cotas como uma estratégia de gestão de crise, e não como solução. As pessoas que estudaram em escolas públicas não podem esperar até que a defasagem da educação seja solucionada para ingressar num curso superior. Há necessidades prementes que precisam ser atendidas até que o problema seja devidamente solucionado.

A questão das cotas étnicas é diferente, mas não muito. Ressalto que a relação entre o étnico e o social no Brasil é muito complexa. O histórico de escravidão e de posterior abandono das pessoas negras e seus descendentes à própria sorte, numa sociedade com um tipo de preconceito dificílimo de lidar (o preconceito de não ter preconceito, de acordo com Florestan Fernandes) acabou gerando uma população de afro-descendentes subempregados e pertencentes às camadas socialmente inferiores. Se é fato que há vários afro-descendentes nas classes médias e altas da população, também é fato que os há em muito maior número entre as camadas inferiores. Assim, a validade das cotas étnicas acaba se estabelecendo por motivos parecidos aos explicitados no parágrafo anterior. Trata-se de gestão de crise.

E já que citei a questão da escravidão, o sistema de cotas trata-se também de uma tentativa de sanar a dívida histórica da sociedade para com os negros e mestiços, além dos povos indígenas.

Assim, um comunicador e jornalista do calibre de Boris Casoy precisa estar mais atento às questões envolvidas neste problema antes de repudiar o sistema de cotas publicamente como fez ontem, especialmente pela apresentação de motivos como a defesa (ainda) do “mérito”.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CQC e o neurocirurgião

O "Top Five"(quadro do programa CQC da Band que traz cenas curiosas de outros programas da TV aberta e fechada) da segunda-feira, 27/10/2008, apresentou em primeiro lugar a fala de um neurocirurgião. Dizia ele: "Quatro horas toma um café - os ingleses até tomam chá: coisa de boiola..." E eu aplaudo a esse neurocirurgião. Nessa única frase ele consegue fazer o que ninguém até hoje havia conseguido: estabelecer uma atitude que é comum a todos e tão somente aos gays. E mais, quem sustenta a indústria de chá no mundo todo são eles. Mas como se não bastasse, ele continua: "...chá, inclusive, eu acho meio brochante..." Muito bem, eu só não entendo como a Inglaterra ainda tem população.

A fala desse neurocirurgião, cujo nome foi preservado, é, como se nota, carregada de preconceitos. Primeiro contra os gays. Depois, contra todos os que tomam chá. Depois, loucura das loucuras, contra o próprio chá, coitado, que leva fama de brochante. Isso, vindo de alguém que não entende do assunto até que passa. Mas um médico, que sabe que cada chá tem uma composição própria, que sabe (deveria saber) que a fitoterapia tem tratado doenças, inclusive impotência, através das ervas medicinais, e que tem influência sobre as pessoas quanto a esse tipo de assunto, deveria ter mais cuidado com o que diz, especialmente na televisão.

Mais interessante ainda é a recepção dessas declarações pelos apresentadores do CQC. Eles ridicularizam a opinião do neurocirurgião, anulando assim as observações amalucadas dele. Mostraram que é possível fazer do humor uma forma divertida de ser politicamente correto. A atitude deles deveria ser seguida por outros programas humorísticos. Ao invés de ridicularizarem as minorias, deveriam fazer de suas piadas uma forma de anular os preconceitos e discriminações dos grupos hegemônicos.